sábado, abril 21, 2007

descaminhos ou como filosofar com um chinelo

As idéias são possessivas, e quantas vezes já nos percebemos girando ao redor delas com expressões angustiadas? Voltas investigativas num universo que ao mesmo tempo que é íntimo, pelo seu modus operandis, é estranho e novo, pelas suas sempre inesgotáveis possibilidades. Lobo, macaco ou hiena, mil faces da alma. Bobo, opaco ou sem pena, quem dentre nós me condena? Fora está o beijo quente que nutrio, o rio de pele e pêlo que você atravessa sem perceber. imagens ou imaginação, pensamento ou ação, boca ou tentação.
Não pertenço à nenhuma cela e minha condenação veio do carrasco em mim mesmo, indefeso palhaço que ri do espelho que zoa e maltrata sem zelo. a polidez na lata de lixo dessa transportadora de ilusões chamada vida. a medida que encolho, escapo. Conheço a fuga como quem viveu perambulando por cadeias, um coiote sem deserto, um lobo sem estepe.
---
o prazer de viajar esta em se perder. por isso viajar sozinho é uma experiência necessária, as vezes dois são um só, mas a cumplicidade afoga as experiencias mais profundas, deixadas de lado em nome do conforto do espelho conhecido nublam o incerto e a deriva nos aguas tranquilas da alteridade. Poucas pessoas tem coragem para fazer aquilo que sabem, pouquíssimas. Estou aqui, longe de mim e de todos e nesses dias eu quero ver o esfacelamento do mundo porque aqueles que tentam salvar o mundo com a razão descobrem a sua pequenez.

terça-feira, abril 17, 2007

tato

meu olhar anseia por um dia de sorrir e namorar, olhares ja me conduziram para esses paraísos de alegria e poesia. hoje, daqui, te dou minhas palavras com vontade de chorar.

-


passear poeticamente pela vida consiste num exercício descompromissado até o fim objetivo. Cada passo é uma revolução caliente e o desfrute pleno a utopia do vagabundo, nde o amor e a poesia se realizam na sua doçura e simplicidade. O caminho, quando duro ou insípido, exige um radicalismo do desejo, nesses dias tristes a profundidade tanto do corte quanto do peito são a arena de nossas paixões, onde a soma de tudo tem seu único espaço de insurreição na mesma proporção de sua urgência. (juro que vou consertar esse final ou tudo).

segunda-feira, abril 02, 2007

Sentia-se mal e fraco, não em sua moral ou julgamentos, era seu corpo que padecia, notara que seu apetite para aquilo que considerava vida havia diminuído. Começou um auto-tratamento, como sempre fazia - pelos com as doenças da alma, diminuiu os cigarros e começou alguns exercícios, mas sua rotina era um constante desmoronamento. Comprou um maço de cigarros para evitar que, num momento de fraqueza, pedisse à alguém. Preferia sua tosse monstruosa a estabelecer alguma espécie de contato com outros fumantes, aquele orgulho burguês de não se portar como pedinte, porque se o cigarro já era visto por ele como uma fraqueza, fazer do seu vício uma razão de comunicação atormentava-o. Preferia o silêncio pois sempre que escutava conversas perdidas pela cidade ficava assustado com as imbecialidades modernas, preferia o silêncio por que não queria fazer parte dessa estatística e silenciosamente se saía bem das mais difíceis encruzilhadas que a vida havia colocado em sua frente.
O fato de ter um maço cheio atiçava seu desejo pela nicotina e sabia que provávelmente fumaria tudo e rápido. Mas estava satisfeito com seu pensamento burguês.
Acreditava que toda aquela fraqueza servia-lhe de alguma forma. Mostrando o quanto escrever carregava consigo uma certa mortandade interna, fúnebre ritual de transformar a vida em palavras mortas, em folhas de árvores mortas para durar além da vida.
"-Outra dose de loucura, por favor!" Gritou um negro alto que tocava saxofone alucinadamente, nem esperou a bebida chegar, quando rapidamente ouvimos a marcação distante de quatro tempos nas baquetas, era o prelúdio de mais uma música de beleza enfurecedora. Ninguém conseguia achar um jeito contínuo para movimentar seus corpos e pensamentos, um desconforto acolhedor nos aquecia, copos iam e vinham até nossas bocas aveludando nossos ouvidos e encharcando nossas idéias.
Nessa altura, nossas conversas pareciam com o movimento de cardumes de peixes pequenos fugindo dos predadores, uma nuvem dançante de esbarrões num oceano de deliro. Só podia ser coisa daquele quarteto alucinado. O pianista parecia tocar uma espécie de tambor primitivo, seus pés não conseguiam se conter, aquela cena toda da banda nos impelia a dançar, não um passo, não um estilo esquizofrênico, parecia que desviávamos de socos vindos daquele palco. A esquiva nos fazia tirar conclusões a torto e a direito, o mais quieto do grupo disse em voz ébria:
- Dificilmente um fraco resiste ao silêncio, por isso estive quieto até agora. Não que vá falar coisas brilhantes, mas com certeza o silêncio é um direto de direita. Esse som é fudido e às vezes me perdi em sua fluidez, disse Gerard que logo foi interrompido pelo sempre volumoso Diego com suas caretas e retórica de machado desafiado:
-Sim, mas... – e dele sempre vinha um irritante "mas" seguido de suas verdades piradas – nas minúcias o silêncio não deveria ser encarado tão desafiadoramente.
Gerard só aceitaria essa resposta de uma pessoa que ao menos uma vez ficasse quieta diante de um assunto ou que evitasse as avalanches de mas e poréms, que sentisse fadiga ou demonstrasse humanidade.

quinta-feira, março 22, 2007

o que sou senão a miragem do meu próprio eu? Uma pergunta idiota respondida sem foco nos dias do império da visão. A claridade que não ofusca revela não mais do que o vazio. Foda-se! Hoje não existirão arestas e tudo vai descer o abismo infinito, deslizar por curvas imaginárias. Hipótese confirrmada pelo gosto dos oceanos e estradas de palavras e gargalhadas. Vendo a alegria nos dias de tristeza e ressabiado sorrio doentio para seus olhos carinhosos como quem sem medo treme e sem choro gagueja por um beijo, idiota que seja! Não sou mais do que isso.
De volta deparo-me com o sem graça e disfarço uma saída do embaraço. Se soubessemos os prazeres da liverdade não haveria mais tempo ou dias, sem ressentimentos te amo minha música.
"O céu me apareceu cheio de encanto" e a chuva finalmente é percebida, peranbulando por músicas e ruas o encontro ainda encanta corações estragados que estraçalhados no tempo e no espaço, na rotina e no descompasso sorriem diante do desenlance. - "No sepa lo que soy. Yo crèo que soy un beso. Una salita de recepición, una musica cantada para la luna. "
A certeza que dissipada canta sua essência efêmera, fumaça fuliginosa como gosta de dizer vulgarizada pela esquecidiça condição de existência.
-"Yo solamente soy essa noche calieñte! Mira me. solo su ritmo alucinado! Mira me no hay nombre, solamente cuerpo e dança".
Misturou goles com filosofia sem perceber rastros despejou sua mão novamente sobre o papels, diretos de direita dignos de seus idolos boxeadores esmurravam sua cabeça contra o ânimo. - Meu repelente é ácido expulsa mosquitos travesseiros que atravessam as noites.
Qualquer elemento surrava-lhe a mente, fraco ouvia a chuva em catarze que seus olhos molhados se fecharam para o amanhã.

domingo, março 18, 2007

e o silêncio e a alma

oh alma trancafiada, que nao uiva, mas cala. dorme, dorme e dorme e, quando não, cava sua própria vala.
parece aceitar a jaula, mas conhece os sintomas de sua clausura. ignora-os ao gosto do momento. por onde sorrateiramente transborda essa alma? mutável, prefere a fumaça à forma. escorregadia e foliginosa e calma. doces são os tempos de liberdade quando escapa de seus próprios tormentos, quando finge ter algum talento. sabe-se que é resistente ao silencio. então controla o incêndio e quase deixa escapar, palavras de amor ou raiva nesses dias sem paladar. vai alma penada, desce a escada, atravesse a parede e transborde a rede com sua sede. bêba até o último gole porque você entende mais lúcidamente de porre e se alguem te importunar, mande a loucura procurar. oh alma tranca afiada. devagar, devagar, devagar. bocejar, bocejar, bocejar. que ampla cadeia que é o silêncio mas que dói e aperta mais o coração do que escrever.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

já é hora de desvirar a ampulheta


Deveria estar certo de que ao desvirar a ampulheta começaria uma nova contagem do tempo, mas desde que a ampulheta parou o que essas areias guardaram dentro de si naquele contar do tempo? Construíram castelos de areia, forminhas de praia, palavras sutis e atritos... ora escorreram suavemente ora dolorosamente, como se estivessem arranhando meus olhos. Sólidas e salgadas estruturas, diria, se não carregasse a doce propaganda da memória sem rastro, foliginosa e enfumaçada. Não faz mais diferença, as areias são pequenos manuscritos do tempo, nelas estão contidas todas as experiências dos milênios, vem de bem antes da minha recente existência e a elas juntar-me-ei num futuro recente. Quem duvidaria de nossa pequenez?
Será que as areias envelhecem? Talvez elas sejam as formas da velhice, o pó. São pelo menos quando uma bunda velha senta e deforma a areia com suas curvas mulambentas e gravitacionais.
As areias desertas de qualquer estação gravam sua volúpia silenciosamente, resistem ao seu destino atômico e tragicômico, afinal quem será lembrado nas areias do esquecimento? Quem será amado ou odiado? Quem terá o perfume tatuado e a textura da sua pele impregnada dos/nos poros de outrem? Quem conhecerá os segredos dos mares da outra pessoa e terá a sensação de estar sempre a desvendá-los em qualquer momento? Tanto nas lembranças quanto na imaginação!
Agora sou um exercício, uma matemática torta que visa potencializar todos os momentos da vida, sem piedade minha ampulheta soterra o tempo e minha miserabilidade. É a faca que você, supostamente, amola contra si mesmo. Acreditando que viver entre o delírio e o mistério torna a vida um pouco mais excitante. Não existe mais contabilidade, nem balança. A ampulheta nunca foi desvirada, porque ainda não acabou, quem desvira a ampulheta é a morte e nosso xadrez ainda esta no começo da partida, espero.

sempre inacabado, como precisa ser.

sábado, janeiro 06, 2007

drop your guns

aquilo que não vivi permace com o encanto do que não foi, é que tudo parece maior quando sou incapaz, covarde e medroso. como você pode ver esse ego grande e esquizofrênico não tem mais receios, até suas fraquezas (conhecidas e exploradas por uns, odiadas e amaldiçoada por outros) são propagandeadas com a sinceridade da publicidade.

sexta-feira, janeiro 05, 2007

av. entranhas esquina com a coração

Desculpe se não escrevo sobre as belezas turísticas de minha cidade, não me interessa esse tipo de atração local onde o comportamento se manifesta tão padronizado e etéreo, onde as particularidades são assassinadas por posturas débeis e infantilizadas de seres ignóbeis geralmente chamados de turistas que, seguindo fórmulas simples, congelam seus sorrisos desnatados em primeiro plano ofuscando paisagens de fundo com sua morbidade seriada - na verdade todas essas fotos, acredito, são os retratos de uma auto-imagem fria e sem personalidade que prefere a imagem à vida.
Espero não desapontá-la na forma como vejo e descrevo esse lugar onde a beleza é tão simples e pequena que fica difícil decifrá-la, para isso me embriaguei dessa cidade na esperança de transformar minhas impressões do espaço em algo mais cotidiano. Embriaguei-me e ainda estou bêbado, às vezes sinto uma ressaca de vitória, facilmente contornada com outra dose de aventura e descoberta. Caminhei perdido e cambaleante por suas ruas, provei seu amargo, às vezes, seu doce. Procurei ruas pequenas, onde as almas distantes se vêem de muito longe e nossos passos assumem uma cadência envolvente e são escutados e percebidos, por segundos ou anos conforme a melodia que nossos pés suscitam. Na multidão abri trilhas estreitas onde só passava uma pessoa por vez. onde tinha barulho eu cantei alto em voz muda. Onde era vazio expandi-me até ficar rarefeito, até ficar frio, até perder o equilíbrio.
À direita. Atravessei da raiva à serenidade, curvei na perspectiva, subi no respeito, atravessei o doce cume da eternidade que tatuado nas minhas entranhas e coração ainda se faz presente mesmo como ausência amarga ou doce coexistência. Desci o vale em espiral que torce o vento num ciclo constante que me trouxe de volta à partida. Aterrorizei-me com a perspectiva da ausência de história através da clara noção da linha que rodopia constantemente em torno de cada dúvida fundamental, uma fatigante peregrinação entre sugestões e pesadelos.
A esquerda costuma acabar no tédio, acho que parte da culpa esta na minha repulsa ao norte(ador). As formalidades da comunicação, à postura servil assumida tanto por mim, quanto pelas massas.
Quem diz que vitória é uma ilha deixa-se enganar pela metafísica da geografia, ou pelo mau costume das ciências que, geralmente, se mostram num plano autista que não diz nada a respeito da vida. Mas como podem dizer que essa cidade é uma ilha? Vitória é um arquipélago! E por mais mapeado que seja já vi em centenas de olhares, pessoas que descobriram suas ilhas secretas. Pequenos espaços inabaláveis e indestrutíveis sujeitos somente às ações do esquecimento.

(continua?)
(continua!)

quinta-feira, dezembro 21, 2006

a tempestade no oceano

meu olhos apontam para o nada e nada vejo. a impressão que tenho é que não perco nada, (valeu laerte) mas nada tenho. estou em algum lugar do tempo ou do esquecimento é frio e amplo e distorcido. afogado no meu próprio ego, me resta a caridade. é o resultado do dano. o abismo tem dois gumes e te corta em quantos fragmentos inteiros você conseguir contar. agora somos dois estranhos que se conhecem bem. agora, não existe mais para mim. agora é só um ponto, é só uma gota e eu sou a tempestade.

domingo, dezembro 17, 2006

não posso ser contido.

mais fumaça que matéria
não tenho forma, sou idéia
perambulo pelo tempo
vagabundeando pelos momentos
a vida é quem exige o esquecimento
os pedaços que guardo em segredo
espero encaixem com os seus
pois é fumaça, é idéia
muito mais sangue que artéria.

domingo, dezembro 03, 2006

poesia picaretista, ops concretista

desconfio,
descuido,
descompasso,
descaso,
desastre
destemido,
destino.

quarta-feira, novembro 29, 2006

o esquecimento é que terá a última palavra

que pedaços pequenos me restem
mas que nunca à significados escusos se prestem.
Pedaços tão rasgados, praticamente irrecuperáveis,
por nenhum momento miseráveis.
um aqui outro acolá
melhor quando é dificil encaixar.
anos de lembrançar perdidas
para evitar sentir o gosto de um dia sem vida.

sábado, novembro 04, 2006

pequeno tratado de um grande b.

procure pequenas fissuras para tentar chegar a qualquer lugar, fale sobre qualquer coisa, até mesmo vulgar. faça as palavras sairem ou simplesmente estocar, pensei que você estivesse errada, mas só o tempo irá nos contar.
pensei que a vida era curta, mas o tempo parece um inferno. recolha-se até uma noz. silencie-se, você não gosta da sua voz.
você planejou ser escorregadio, mas as vezes é pegajoso, as vezes é arrogante, parecendo corajoso, mas você se conhece, sabe que ainda é, apesar da casca dura, um muleque medroso.
a maior parte do tempo, odeie o tempo.
e se o caminho mais curto para sair fosse escrever alucinadamente? acho que não.

quinta-feira, novembro 02, 2006

i thought that you was wrong
but only time will tell.
i thought life is short
but time sometimes looks like hell.

ad infinitum

cretinos, sacerdotes, administradores de empresas, empreendedores, modernos, estudantes em geral, trabalhadores do terceiro setor, espertinhos, fanfarrões, pessoas que abusam da paciência alheia, que falam muito, que são hiperativas e não fazem bosta nenhuma que presta, pessoas inertes e sebosas, juízes da moral em plantão 24h, políticos, anti-políticos, boêmios, caretas, artistas, intelectuais bossais, malandros, quadrados, políciais sem distintivo, opinião pública, criticos de qualquer coisa, mendigos e milionários, grávidas e mulheres sem ovário, homens sem huevos, homens que praguejam ao pé do ouvido, machões que fazem análise de risco, motoristas que lustram o carro como se fosse uma rôla grossa, aqueles que estão inseridos em estatísticas, aqueles que não vomitam, patéticos, introspectivos, autistas, portadores de deficiência de caráter (sic), esportistas, niilistas, bons de bola, filhos da terra, maconheiros, estrangeiros, descendentes, mamíferos, dançarinos, atores de teatro, bibliotecários, pedagogos, vendedores de livros, editores, filhos da puta em geral... eu odeio vocês e toda sua laia.

eu chamo isso de exercício da memória.

domingo, outubro 29, 2006

giant steps

devagar, devagar...
passos gigantes estamos prestes a dar.
a ilusão do que pode ser imenso
esbarra no perdido, no pretenso.

sábado, outubro 28, 2006

domingo, outubro 22, 2006

se eu fosse um enrolado
me chamaria leonardo
se esse enrolado fosse um babaca
me chamaria leonardo prata.

quinta-feira, outubro 19, 2006

pedaços

perdido nas águas do passado
cultivo a miopia do significado
percorro as ruas de vitória
fintado pelos abismos da ruína ou da glória
onde os faróis escrevem um corajoso enredo
embora meu melhor amigo sempre foi o medo
sussurro palavras num ritmo calmo
palavras pequeninas, bem menores que um palmo

(sem ritmo mas ok)

domingo, setembro 24, 2006

in my solitude

dormi no melhor que a solidão pôde me proporcionar
até os sonhos essa campanheira me leva ao acordar
os momentos pequenos e sublimes que ela vem me contar
falando baixinho e devagar para só eu escutar,
não sei porque, mas não consigo expressar.
assim no silêncio, quem consegue sequer imaginar
a melhor maneira para se contar?
os segredos que as noites solitárias insistem em cantar.

segunda-feira, setembro 18, 2006

descompasso

um salto qualitativo dado fora do tempo e espaço
um delírio imaginativo ou só embaraço?
nesses dias de descompasso,
o que que eu faço?
acostumado ao parado, regulo meus passos
inquieto nunca calado, finjo, disfarço.
falo sobre o que não sei, abro o que não dei.
nesses dias de descompasso,
o que que eu faço?

cansei de tentar fazer disso algo razoável.

segunda-feira, setembro 11, 2006

sambinha da memória fraca

hoje vesti as roupas de uma felicidade fugaz
só para poder me destrair
já que a verdade está longe demais
e eu não quero sair; daqui.

entre memórias e esquecimentos
só restam pequenas glórias e tantos tormentos
já não me recordo mais
daqueles saudosos tempos de paz.

hoje torci para que minhas virtudes prevalecessem
para que os sofrimentos se desintegrassem
mas só a inércia me visitou
só a inércia me visitou.

quinta-feira, agosto 17, 2006

Equilíbrio Infernal

Ciladas Temporais

1.

Já vivencie em vários momentos a sensação das palavras envelhecerem. o que chamei de engavetar sentimentos, conserva, de alguma maneira, aquilo que de fato já adoeceu, mas que em rodopíos frequentes, trazem em minha mente o gosto que era teu. o significado que dou a isso já não te interessa mais é o perfume fugaz de um tempo que jamais irá voltar. essa é minha brincadeira com o tempo, um jogo particular que tenho com meu passado que as vezes esbarra num enroscado de pernas, numa carícia mais tenra ou em beijos delicados. Se o corpo já é uma prisão para alma o que dizer quando a palavra seca, a voz cala e a mente peca?

2.
se tivesse um nome de acordo com a realidade
esse nome seria saudade.

3.

eu naufraguei, em algum lugar ou amor passado, em algum copo ou baseado.
já naveguei, sem destino e amedrontado, temendo os meus pecados.
mas ainda sou novo e consigo sorrir, mesmo das tempestades do porvir.
e quem branda contra a minha loucura que olhe para si mesmo e aceite a sua.

4.
coisas estranhas tem passado pela minha mente, estranhos sentimenos e formas inusitadas de enxerga-los. óbvio que tudo isso pode significar algum momento idiota que você simplesmente deveria ignora-lo ao invés de ficar digerindo por dias. é que esse lance de tentar ser o dr. manhattan tem fodido minha cabeça... eu tinha uma concepção do tempo e história que me parecia razoável e confortante, emprestada de um historiador gente boa. mas o manhattan me parecia mais interessante, embora dificil de ser aplicado... a idéia de que as coisas ainda estão acontecendo, mesmo no passado, tem me provocado reações estranhas. Em tentativas de cartografar todos movimentos e possibilidades no tempo e espaço, mesmo o movimento de coisas que não existiram ou deixaram de existir, de histórias que não foram contadas ou de vidas que não vivi têm me levado a ver a vida como um jogo de xadrez e não gosto de pensar nela dessa forma porque eu jogo xadrez mil vez melhor do como eu levo a vida.
Como não lido com "peças", a teoria do "xadrez da vida" deveria cair por terra embora eu possa estar analisando possiveis reações e bla bla bla... mas isso seria idiota da minha parte. A metáfora do xadrez só é válida quando você consegue enxergar o tabuleiro com outros olhos, usando menos matemática e mais poesia.

5.
mesmo agora que já não faça mais tanto sentido
eu vejo o tempo sendo tragado
e o significado abandonado
as custas de um engano prometido

me zanga teu equilíbrio forçado
como quem compra um rebolado
e calça sandalias novas para dançar
esse silencio evocado.

6.
Mil noites com o tempo parecendo cacos de vidro
Com o silêncio agudo como um ruído
Mil goles brindando o delírio
Mil amores para achar o equilíbrio.

Ciladas Espaciais

1.
Quantos significados beijos e abraços
deram aos meus espaços?
E a saudade que tece seus traços
entre minhas entranhas, tijolos, asfaltos e braços?
Pode essa minha cidade; sobreviver
aos amores dessa mocidade?
A reconstruir constantemente, se for necessário.
Nunca sem amor, muito pelo contrário.

2.
existe uma cidade identica à vitória que por trás da realidade, invisível em sua forma e conteúdo, nasce e morre todos os dias ao contrário da slow death da cidade oficial. essa vitória invisível com seus sonhos mudos e seus diálogos nadaístas não tem medo de morrer, seus sonhos duram o necessário para amanhecer um outro dia.
é a cidade das prostitutas, dos mendigos e dos pivetes. a cidade dos que se perdem em sua rotina ou sentam num banco só para ver o tempo passar. é o desvio, o medo e o delírio. está fora das caixas de ferro motorizadas, dos engravatados, dos mapas oficiais e dos cartões postais.

3.
por mais que os monumentos erquidos ao ego tentem transparecer uma validade muito maior que seu merecimento por causa da suas armaduras de concreto e seus cálculos com margens de risco acima da média, sabemos muito bem que sua função inicial e importância evaporam-se tão rápidos quanto o mijo de um vagabundo no sol quente de todas as estações. ao uso coube o improviso como aquele que lida com o o novo a cada instante.


Por Juan Del Lírio
viciosimorais@yahoo.com.br

uma compilação fragmentada de textos para o zine True Lies

segunda-feira, julho 17, 2006

dialética

cada passo é como uma minúscula peça de um quebra cabeça que venho construindo há 24 anos, nuances por muitos não percebidas que revelo conforme meu humor, sentimentos que mostro conforme minha intimidade e desejos. de tal forma que não construo mais do que sou construído, não encanto mais do que sou encantado e não bebo mais porque já estou embreagado.

terça-feira, julho 11, 2006

folk da caminhada noturna

many times, many roads
many deaths, many thoughts

i always cross the city with cigarettes in my pockets
with my mind flyiiiiiing as an rocket

every street has a secret
every corner too many wishes


moon is burning my night reason
the dawn is coming to fight against the season

domingo, julho 02, 2006

realidade

se tivesse um nome de acordo com a realidade
esse nome seria saudade.

(será que isso ja existe?)

sábado, junho 24, 2006

manhãs colossais

as manhãs colossais são construídas de momentos sublimes quando você parece reger o universo, mergulhado nos mais profundos oceanos, embreagado sobre tudo. mas cada milímetro contendo uma sinceridade absoluta e infinita.
tudo isso funciona espiralmente como se fizesse sentido embora sempre partindo de uma mesma dúvida. nuances e sutilezas, maestralmente postas em movimento é a idéia que mergulha e retorna, seca para um novo pulo.

domingo, junho 11, 2006

sambinha da mulher amada

me permite,
hoje eu quero ser tão triste quanto eu puder.
afinal,
não existe mal melhor que uma mulher.
me deixa,
gravar esse samba, para poder lembrar
que um dia,
na minha mocidade, sofri de tanto amar.
pois é,
só sei que te amo
mesmo
perdido nesse pranto.
então
eu alcanço
o céu no momento que canto
mesmo perdito nesse pranto.
será que a minha filosofia
consegue ao menos um dia
compreender o absurdo desse amor
que sem razão nenhuma só me trouxe
até agora essa dor.

rima bêbada.... perdida num oceano de cerveja.

sexta-feira, maio 26, 2006

um oceano de uísque

eu naufraguei, em algum lugar ou amor passado, em algum copo ou baseado.
já naveguei, sem destino e amedrontado, temendo os meus pecados.
mas ainda sou novo e consigo sorrir, mesmo das tempestades do porvir.
e quem branda contra a minha loucura que olhe para si mesmo e aceite a sua.

quinta-feira, maio 25, 2006

dos meus paraísos artificiais.

o tempo nunca esteve do meu lado, acredito que ele nunca esteve do lado de ninguém, como diz a famosa frase "le temps détruit tout" e é assim que a banda toca. mas existem aqueles paraísos artificiais, lugares onde você se esconde do tempo, abraça o infinito e contempla o delírio. as vezes mergulhado em um bom gole, ou enfumaçado por um delicioso aroma vindo de cabrobró, nessas ocasiões outro ritmo nos toca, pela lembrança ou esquecimento somos guiados e a razão perde espaço, se deixa levar nesse barco ébrio que é a mente sob efeito das substâncias. o gosto pelo infinito rege os homens descompromissados com a mesquinhês dos tempos modernos, quando falam vagabundo, dizem de boca cheia, viram copos, e assassinam o tempo em mesas sujas de bar. Uma linha tênue separa o infinito do abismo e infelizmente é o maldito tempo que irá nos mostrar isso, mas só quando acabarem os doces paraísos artificiais.

(continua um dia)

quinta-feira, maio 18, 2006

tempestades primaveris

por alguns segundos escapa-me como uma brisa, mas em seguida volta para mim e volta como uma enorme tempestade que atinge meu corpo que sente como tudo isso é estranho e forte e físico. confesso que fico assustado e medroso, nunca a incerteza me pareceu tão angustiante e insuportável, como um naufrago que revê seu amor pelo mar no meio de um deserto oceânico. Se tudo isso tem uma razão, inracional que seja, aparece para mim como um desafio, talvez o maior que já enfrentei e como isso me excita. Não pelo desafio em si (que ultimamente tenho evitado), mas pelo o que ele alcança dentro de mim.

corrigir e organizar.

sábado, maio 06, 2006

poeminhas

venha comigo
eu conheço um abrigo
onde eu posso te amar
o que você então vai achar
se é triste ou engraçado
que o nome desse lugar
seja passado?

---
te amo tanto
te amo tanto que dói
como a maresia que corrói
vinda do oceano de meu pranto.

poesias em construção, nunca pensei que fosse escrever uma sequer. obrigado vinicius

terça-feira, maio 02, 2006

a cidade escreve um nome

existe uma cidade identica à vitória que por trás da realidade, invisível em sua forma e conteúdo, nasce e morre todos os dias ao contrário da slow death da cidade oficial. essa vitória invisível com seus sonhos mudos e seus diálogos nadaístas não tem medo de morrer, seus sonhos duram o necessário para amanhecer um outro dia.
é a cidade das prostitutas, dos mendigos e dos pivetes. a cidade dos que se perdem em sua rotina ou sentam num banco só para ver o tempo passar. é o desvio, o medo e o delírio. está fora das caixas de ferro motorizadas, dos engravatados, dos mapas oficiais e dos cartões postais.

1.2
por mais que os monumentos erquidos ao ego tentem transparecer uma validade muito maior que seu merecimento por causa da suas armaduras de concreto e seus cálculos com margens de risco acima da média, sabemos muito bem que sua função inicial e importância evaporam-se tão rápidos quanto o mijo de um vagabundo no sol quente de todas as estações. ao uso coube o improviso como aquele que lida com o o novo a cada instante. (cartografias do alcool)

quinta-feira, abril 13, 2006

tentativas de análises ou insanidades analíticas


coisas estranhas tem passado pela minha mente, estranhos sentimenos e formas inusitadas de enxerga-los. óbvio que tudo isso pode significar algum momento idiota que você simplesmente deveria ignora-lo ao invés de ficar digerindo por dias. é que esse lance de tentar ser o dr. manhattan tem fodido minha cabeça... eu tinha uma concepção do tempo e história que me parecia razoável e confortante, emprestada de um historiador gente boa. mas o manhattan me parecia mais interessante, embora dificil de ser aplicado... a idéia de que as coisas ainda estão acontecendo, mesmo no passado, tem me provocado reações estranhas. Em tentativas de cartografar todos movimentos e possibilidades no tempo e espaço, mesmo o movimento de coisas que não existiram ou deixaram de existir, de histórias que não foram contadas ou de vidas que não vivi têm me levado a ver a vida como um jogo de xadrez e não gosto de pensar nela dessa forma porque eu jogo xadrez mil vez melhor do como eu levo a vida.
Como não lido com "peças", a teoria do "xadrez da vida" deveria cair por terra embora eu possa estar analisando possiveis reações e bla bla bla... mas isso seria idiota da minha parte. A metáfora do xadrez só é válida quando você consegue enxergar o tabuleiro com outros olhos, usando menos matemática e mais poesia.

sábado, março 11, 2006

o segredo da melodia e a melodia do segredo

a vida é como uma melodia, ela é ritmo, um movimento que por natureza é incontrolável, mas como você não é um vegetal, você pode seguir o ritmo dançando, as vezes fora do tempo ou pisando no pé da parceira, ou você pode pegar um instrumento e tocar. nenhum dos dois são fáceis e todos estão à mercê do imprevisto, então se prepare pro free jazz da vida.
se você exercitou sua percepção ao longo do tempo é capaz de, em momentos sublimes, arriscar sobre o futuro, com uma creteza que chega a ser assustadora. como se você, soubesse a próxima nota, antes mesmo de escuta-la uma vez sequer. essa sensação é intrigante e confesso que a sinto em momentos muito transparentes, na beleza da simplicidade ou quando sou completamente tomado por algo. não dizem respeito a grandes coisas do mundo, mas as grandes coisas em mim mesmo. quando sinto que estou esculpindo o tempo e isso é mágico. é o que eu tenho para dizer.

quarta-feira, março 08, 2006

600ml de sinceridade

testemunho aqui minha apologia ao alcool.

sábado, fevereiro 18, 2006

AS METAMORFOSES DO VAMPIRO

(Charles Baudelaire)
E no entanto a mulher, com lábios de framboesa
Coleando qual serpente ao pé da lenha acesa,

E o seio a comprimir sob o aço do espartilho,

Dizia, a voz imersa em bálsamo e tomilho:
- "A boca úmida eu tenho e trago em mim a ciência
De no fundo de um leito afogar a consciência.

As lágrimas eu seco em meios seios triunfantes,
E os velhos faço rir com o riso dos infantes.
Sou como, a quem me vê sem véus a imagem nua,
As estrelas, o sol, o firmamento e a lua!
Tão douta na volúpia eu sou, queridos sábios,

Quando um homem sufoco à borda de meus lábios,
Ou quando os seio oferto ao dente que o mordisca,

Ingênua ou libertina, apática ou arisca,
Que sobre tais coxins macios e envolventes

Perder-se-iam por mim os anjos impotentes!"

Quando após me sugar dos ossos a medula,
Para ela me voltei já lânguido e sem gula

À procura de um beijo, uma outra eu vi então

Em cujo ventre o pus se unia à podridão!
Os dois olhos fechei em trêmula agonia,

E ao reabri-los depois, à plena luz do dia,
Ao meu lado, em lugar do manequim altivo,

No qual julguei ter visto a cor do sangue vivo,

Pendiam do esqueleto uns farrapos poeirentos,

Cujo grito lembrava a voz dos cata-ventos

Ou de uma tabuleta à ponta de uma lança,

Que nas noites de inverno ao vento se balança.

-------------------------------------------
já estava na hora de ter algo bom escrito aqui.
Engraçado que esse texto não podia cair em minhas mãos em hora mais apropriada.

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

point of no return


quando você pára e, por alguns segundos, olha para trás e isso só te faz andar para frente incontestávelmente, é óbvio que você chegou num ponto sem retorno. se você fez tudo direitinho, mesmo sem saber o amanha esse é seu caminho, por dois motivos, (1) é tudo o que você tem e (2) é tudo o que você poderia desejar. então, qualquer questão sobre o que fazer nessas horas parece idiota e pequena, mesquinha demais para sua alma. porque no fundo você sabe. você simplesmente sabe. parecido com uma música que você sabe tocar perfeitamente e você fecha os olhos e toca. cada nota, tempo e sentimentos entrando e saindo pelos seus dedos de maneira fluida e intensa. parece que você controla tudo nesses momentos, mas não é nada disso, na verdade você não controla nada, nem uma vírgula... as coisas simplesmente vem e vão, mas tudo esta tão perfeitamente encaixado que você solta o volante e só vai. pulamos o mesmo pulo e só desejo cair do seu lado.

sábado, fevereiro 11, 2006

em cada conversa, uma parte de nossa história secreta

Agora pago pelos maus tratos que fiz ao Destino, os 24 anos zombando sua existência uma hora provocariam sua ira. Aquele que encaminha toda uma vida para o incerto por certo que ofende esse sujeito, mas o importante para se saber dessa entidade onipresente (assim também com as outras) é o seu enjôo absurdo do teatro sem graça que é a humanidade. Esse tipo de cara esta de saco cheio, só vai se importar com você quando tu quiser fuder com ele, mas sua resposta não é uma maldição insuportável... é mais sutil e com altas doses de sarcasmo.
O destino geralmente ofende aqueles que não se contentam com um aspecto dominador de suas próprias decisões, ou seja, mesmo diariamente assumindo escolhas, as mesmas não podem sonhar em dominar meu espírito. Afinal de contas, quem é o capitão desse navio? Existe, para meu espírito, uma única maneira de continuar voluntariamente em algum caminho, o mesmo precisa ser intenso. E pode parecer fácil achar isso, mas nesses dias quando o tédio quase que exclusivamente gerencia a vida, intensidade é uma raridade.
Dessa forma
já faz anos que me vejo perdido, me agarrando em futilidades para freiar a qualquer custo o caos, mas toda vez que casei com futilidades do divórcio só herdei o cinismo. Assim, minha busca tornou-se achar uma fórmula para se mover intensamente. Um estado de espírito que facilitasse as coisas, custando alguns relacionamentos, descobri que preciso estar constante e completamente apaixonado. Quanto mais a paixão me empurra para o abismo da loucura mais ela move minha vida do jeito que eu gostaria.
Assim nós vamos, a cada conversa, construindo nossa história secreta, aquele universo infinito enquanto for apaixonante.
Depois eu conto porque o Destino é um canalha.

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

get the road, get the fucking road!

hoje sou uma espécie de road junkie com crise de abstinência, já faz uns 2 anos que não viajo. E quando a sua própria cidade vira parte do enredo de um amor fracassado, a necessidade de se mandar daqui aumenta drasticamente. Eu lembro quando as ruas escreviam seu nome e tudo era apaixonante, mas hoje minha ilha esta sem graça. Carros, rostos tristes e toda espécie de filhodaputa conseguem me deixar de mau humor. Eu sabia que isso podia acontecer, quando tudo que apostei nesse relacionamento foi minha percepção da cidade, da minha cidade.
Lembro quando tudo isso começou, antes da ruina, eu estava procurarando uma palavra para definir minha cidade. Do mesmo jeito que Saudade define Lisboa, precisava encontrar a palavra-chave que todas as noites o movimento dos faróis escreviam pelas ruas. Ainda hoje acho que essa palavra seja encontro, mesmo sabendo que isso, hoje, perdeu significado para mim. Porque tudo que procuro hoje esta longe daqui e essa busca exige uma urgência assustadora. Eu preciso pegar a estrada.